Desinfeção híbrida para indústria farmacêutica, alimentar e ambientes bio-críticos.
Não é uma questão de eficácia declarada, mas de custo real de operação, pago em horas de linha parada, em consumo e em variabilidade.
O UVC convencional obriga a esvaziar o espaço. A desinfeção acontece fora de horas, ou não acontece.
A via isolada exige 50 ppm de cloro livre por ciclo, com o custo de compra, armazenamento e tratamento associado.
Aplicação manual significa cobertura desigual entre turnos, e um resultado difícil de demonstrar.
Agressividade sobre equipamento e superfícies, com resíduo que fica no espaço e no efluente.
Deixa de bastar detetar o desvio e corrigi-lo. Passa a exigir-se um processo desenhado para o evitar, com dose registada, ciclo rastreável e substâncias defensáveis perante quem audita. Um procedimento manual, sem registo, é cada vez mais difícil de sustentar.
H₂O₂, cloro, hipocloritos
UVC convencional, 254 nm
Far-UVC 222 nm com solução fotoativável
O UVC convencional atravessa o stratum corneum e a epiderme, alcançando tecido vivo na derme. O efeito germicida é real, mas o alvo não é só o microrganismo.
Consequência operacional: a sala tem de estar vazia, e a desinfeção acaba relegada para fora de horas, ou simplesmente não acontece com a frequência necessária.
A 222 nm a radiação é absorvida nos primeiros micrómetros da pele, dentro do estrato córneo, uma camada de 5 a 20 µm já constituída por células mortas. Não alcança tecido vivo, mas atravessa por completo uma bactéria de 1 µm.
Consequência operacional: a desinfeção deixa de precisar de uma janela de paragem. Passa a poder correr durante a produção, com a frequência que o risco justificar e não a que o calendário permite.
A solução germicida é aplicada em concentração muito reduzida e ativada pela radiação durante o ciclo. Cada componente multiplica a eficácia do outro.
Carga aderida à superfície, incluindo geometrias e materiais difíceis.
Germicida doseado muito abaixo da concentração convencional.
A radiação ativa a solução e atua em simultâneo sobre o microrganismo.
Redução total da carga culturável, sem resíduo químico relevante.
Cloro livre necessário para redução total, em igualdade de resultado.
| Tratamento | E. coli | Staphylococcus |
|---|---|---|
| Far-UVC · 1 min | 93,6 % | 91,3 % |
| Far-UVC · 5 min | 99,6 % | 99,1 % |
| Cloro livre 20 ppm · 5 min | 93,1 % | 96,7 % |
| Cloro livre 50 ppm · 5 min | 100 % | 100 % |
| Far-UVC (1′) + ultrassons (1′) | 98,9 % | 97,1 % |
| Far-UVC (1′) + ultrassons (1′) + cloro 0,1 ppm | 100 % | 100 % |
Percentagem de redução de células aderidas. Ensaios em laboratório controlado.
A combinação tripla foi validada sobre materiais correntes em ambiente clínico e industrial: PVC, aço inoxidável e PEEK, e não apenas em placa de laboratório.
Isoladamente, tanto a radiação como o cloro só chegam a 100 % com dose elevada ou tempo longo. Combinados, chegam lá com um quinhentos avos do químico.
Quatro módulos de irradiação em geometria radial, com cobertura de 360° de superfícies e ar.
Solução germicida em concentração reduzida, doseada e ativada durante o ciclo.
Deslocação entre espaços sem intervenção humana, com ciclos programáveis.
Telemetria, registo regulatório e monitorização remota. Cada ciclo fica auditável.
Em espaços de utilização contínua, os módulos podem ser embebidos na própria iluminação. A sala passa a ser desinfetada enquanto funciona, sem ciclo dedicado nem equipamento a circular.
Quando o ciclo precisa de 0,1 ppm em vez de 50, a quantidade deixa de justificar uma cadeia de abastecimento. A síntese eletroquímica cabe no próprio equipamento, a partir de água, sal e eletricidade.
Elimina receção e movimentação de concentrados perigosos nas instalações.
Termina o ciclo de bidões, resíduo de embalagem e respetivo tratamento.
Produção na quantidade exata do ciclo, sem armazenamento nem prazo de validade.
Autonomia face a fornecedores e a interrupções na cadeia de abastecimento.
Farmacêutica e dispositivos médicos, com irradiação integrada na iluminação.
Linhas de processo e zonas de embalamento sob requisito de higiene.
Ambientes ocupados, onde parar a operação para desinfetar não é opção.
Controlo de carga microbiana em ambientes húmidos e de grande volume.
Os quatro artigos têm autoria conjunta do LEPABE / ALiCE, Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, e da Spinner Dynamics. Nenhum foi publicado por uma das equipas isoladamente.
O controlo IoT integrado regista dose, duração e cobertura de cada ciclo. O que é apresentado ao auditor deixa de ser um procedimento escrito e passa a ser o histórico do que efetivamente aconteceu.
A tecnologia está validada em laboratório e o equipamento está em validação operacional. O passo seguinte é medir no seu contexto, com a sua carga microbiana e os seus materiais.
Espaço, materiais, pontos críticos e o procedimento de desinfeção em vigor.
Ciclos com registo, com amostragem microbiológica antes e depois.
Resultado medido, consumo de químico evitado e horas de operação recuperadas.